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Friday, February 18, 2011

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Tuesday, July 13, 2010

ANIVERSÁRIO DE JÚLIO DE CASTILHOS - MUNICÍPIO DE LUZ - MIGUEL WAIHRICH FILHO - GRANDE BENEMÉRITO


NA "FUNDAÇÃO EDUCACIONAL MIGUEL WAIHRICH FILHO" É INAUGURADA A UNED DE JÚLIO DE CASTILHOS
Reprodução,na íntegra,da reportagem do Site Galerananet:
29/05/2008 - Inaugurada a UNED de Júlio de Castilhos
Nossa Equipe de Reportagem a convite da Direção do CEFET de São Vicente do Sul e UNED de Júlio de Castilhos, esteve realizando o registro de mais uma solenidade que marca a história do município de Júlio de Castilhos, pois a inauguração oficial desta Unidade de Ensino Descentralizada de Júlio de Castilhos – UNED demonstra que o município irá crescer cada vez mais pois é mais um sonho da Comunidade Castilhense que se torna realidade.Salientamos a presença do Secretário de Educação Profissional e Tecnológica do MEC, Prof. Eliezer Moreira Pacheco; Deputado Federal do PSB – Beto Albuquerque; autoridades municipais, prefeitos e vice-prefeitos de diversos municípios e um grande público que prestigiou este ato solene.O Pároco Joselino Serafini realizou a benção neste instituição de ensino, onde logo após quatro autoridades fizeram o uso da palavra.As quais frizaram que a presente inauguração vinha de encontro com o que desejava o senhor Miguel Waihrich Filho e senhora Júlia Rosa Waihrich que doaram a referida área em 30 de janeiro de 1962, para instituir uma Fundação Educacional cuja finalidade era manter o Centro Cooperativo de Treinamento Agrícola já em funcionamento na propriedade de doação mantido pela Campanha Nacional de Educação Rural (CNER) e pelo Serviço Social Rural. Pois o casal acreditava que o ensino agrícola é a maior e mais urgente solução aos problemas econômicos e sociais do Brasil no presente.Assim com as mudanças que ocorreram na educação do decorrer destes 46 anos hoje Júlio de Castilhos é um município de referência para cursos técnicos que atenderá a estudantes de vários municípios.Cabe a nós da Equipe Galerananet parabenizar a todos que lutaram para que este sonho fosse realizado, pois somos um órgão de imprensa que procura divulgar e acompanhar o dia a dia de Júlio de Castilhos e Região onde várias pessoas conhecem o nosso trabalham e confiam no mesmo, pois nosso meio de comunicação tem alcance mundial e é através dele que vários Castilhenses de vários locais do planeta Terra reencontram amigos e ficam sabendo dos acontecimentos locais, pois muito nos orgulha poder dizer que temos mais de 1.200 acessos diários.Veja abaixo um pouco da História da UNED de Júlio de Castilhos:• 30/01/1962 – Doação de uma área de 477.650 m2 pelo senhor Miguel Waihrich Filho e Senhora Júlia Rosa Waihrich para instituir uma Fundação Educacional cuja finalidade era manter o Centro Cooperativo de Treinamento Agrícola já em funcionamento na propriedade de doação mantido pela Campanha Nacional de Educação Rural (CNER) e pelo Serviço Social Rural. • O casal acreditava que o ensino agrícola é a maior e mais urgente solução aos problemas econômicos e sociais do Brasil no presente.• 16/07/1960 – Implantado o Centro Cooperativo de Treinamento Agrícola mantido pela Campanha Nacional de Educação Rural - CNER e pelo Serviço Social Rural no lugar denominado São João no primeiro sub distrito do primeiro distrito de Julio de Castilhos, sendo Prefeito na época Dr. Íbis Castilhos de Araújo Lopes que num trabalho incansável juntamente com seu Secretário Geral senhor Vladimir Correa de Mello nosso saudoso seu Milo conseguiram criar este Centro Educativo.Tendo como Primeiro Diretor o Engenheiro Agrônomo Plínio Mistrelo que num trabalho de um verdadeiro desbravador conseguiu com poucos recursos financeiros fazer na área que era constituída de 2 moradias uma capela e um armazém, uma escola produtiva, auto suficiente que preparava jovens, os quais eram filhos de pequenos produtores, para uma atividade agro pastoril mais moderna e o gosto pelo trabalho rural.• 30/01/1962 – Doação de uma área de 477.650 m2 pelo senhor Miguel Waihrich Filho e Senhora Júlia Rosa Waihrich para instituir uma Fundação Educacional cuja finalidade era manter o Centro Cooperativo de Treinamento Agrícola já em funcionamento na propriedade de doação mantido pela Campanha Nacional de Educação Rural (CNER) e pelo Serviço Social Rural. • O casal acreditava que o ensino agrícola é a maior e mais urgente solução aos problemas econômicos e sociais do Brasil no presente.• “...Com objetivo para demonstrar o seu grande amor ao município de Júlio de Castilhos, terra onde nasceram e viveram, berço de seus filhos e netos, onde trabalharam e prosperaram, fizeram amigos e no labor da terra amaram e serviram ao Rio Grande e ao Brasil...” (Escritura Pública de doação de área e criação da Fundação Educacional Miguel Waihrich Filho, nº. 2831 de 30 de janeiro de 1962)• 27/03/1980 – A Fundação Educacional Miguel Waihrich Filho cede à Fundação Educacional para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento do Ensino (FUNDAE), com sede em Santa Maria, por tempo indeterminado a área onde se acha instalado o Centro Cooperativo de Treinamento Agrícola (CCTA) para que possa desenvolver projetos vinculados às atividades agro-pastoris. (Termo de cessão provisória)• 1983 - A área foi colocada a disposição da Escola Estadual Vicente Dutra para que desenvolvesse a disciplina de técnicas agrícolas a nível de segundo grau.• 1985 – Após o recebimento de verbas conseguidas junto ao Ministério da Agricultura a Escola Estadual de 2º Grau Vicente Dutra passou a utilizar esta área.• 06/06/1988 – Início das atividades educacionais da Escola Municipal Agropecuária de Júlio de Castilhos com 114 alunos, distribuídos em duas turmas de 5ª série, uma de 6ª série, uma de 7ª série e uma de 8ª série totalizando cinco turmas, sendo 45 alunos internos, pois a escola funcionava em regime de internato e semi-internato com turno integral.• 19/04/1999 – Alteração de designação da Escola Municipal Agropecuária de Júlio de Castilhos – 5ª a 8ª série para Escola Municipal Fundamental Agropecuária de Júlio de Castilhos, através do Decreto nº 1804 de 19/04/1999.• 30/08/2001 - Alteração de designação da Escola Municipal Fundamental Agropecuária de Júlio de Castilhos para Escola Municipal Fundamental Júlio de Castilhos, através de decreto nº 2076 de 30/08/2001;• Abril/2005 – Foi enviado ao MEC um Projeto para criação de uma Escola Profissionalizante a Nível de Segundo grau. • Agosto/2005 – Foi libera pelo governo federal a criação de novos Centros Fedederais de Educação Tecnológica - CEFETs a nível de 2º Grau em todo o Pais, sendo destinado a cada Unidade da Federal 2 Centros.• 29/11/2005 – Protocolo de Intenção: O Município de Júlio de Castilhos expressa sua intenção de ceder ao CEFET uma fração de terras, com área de 47 há. 7.273,63 m2 com a finalidade de implantação de uma Unidade descentralizada de Ensino (UNED). A cedência se fará por tempo indeterminado, enquanto houver a utilização para finalidade antes mencionada. Este protocolo de intenção envolveu principalmente as seguintes autoridades:- Prefeito João Vestena- Secretária de Educação e Cultura professora Jussara Canfield Finamor- Diretor do Centro federal de Educação Tecnológica de São Vicente do Sul (CEFET-SVS) Carlos Alberto Pinto da Rosa- Testemunhas Adílio Oliveira Ribeiro e Mariangela Turra Moro• 12/2005 – Viagem a Brasília realizada pelo Prefeito João Vestena e Presidente da Câmara municipal de Vereadores Dartagnan Portella, onde acompanhados pelo Deputado Federal Beto Albuquerque estiveram em audiência com o Secretário Executivo do Ensino Profissionalizante senhor Eliezer Pacheco, realizando apresentação de documentos na intenção de um possível Centro em Júlio de Castilhos.Em breve estaremos complementando esta história e apresentando uma vídeo que estamos preparando desta história até o dia de hoje.
Fonte: Site Galerananet
UMA OBSERVAÇÃO EM TEMPO : PARABENIZO ESTA BELA REPORTAGEM DO SITE GALERA NA NET , UMA COBERTURA REALMENTE EXEMPLAR DESSA BELA HISTÓRIA , A QUAL EU ACOMPANHEI , AO LADO DE MEUS AVÓS , MIGUEL E JÚLIA , ELES VIBRAVAM MUITO COM AS COISAS DO MUNICÍPIO E , SEMPRE COLABORARAM E INCENTIVARAM OS EMPREENDIMENTOS DESTA TERRA , CONSTATAÇÃO ATRAVÉS DAS TANTAS DOAÇÕES EM PRÓL DO DESENVOLVIMENTO DE JÚLIO DE CASTILHOS . LAMENTO NÃO ESTEJA ESTA UNIDADE DE ENSINO , MANTENDO A "DENOMINAÇÃO ORIGINAL DA FUNDAÇÃO" , HÁ TANTOS ANOS PRESERVADA , O QUE SERIA DE JUSTIÇA E EQÜIDADE , UMA VEZ QUE , SEM A PARTICIPAÇÃO CAUSAL DOS DOADORES , ESTA EXCELENTE ESCOLA NÃO ESTARIA INAUGURADA E , DESDE JÁ , SEMEANDO AS PRECIOSAS LUZES DO SABER .
Sem mais para este momento , aproveito para convidar a equipe de vocês a visitarem meus sites , será uma satisfação se deixarem sua mensagem em meu livro de visitas . Se forem ao 'Arte é Vida' , encontrarão junto ao meu perfil mais detalhado , todos os sites . O endereço é : http://www.sandrawaihrichtatit.blogspot.com/ meu abraço , grata por falarem tão bem de meus amados avós e pela sensibilidade na cobertura feita pela reportagem .
Atenciosamente , Sandra Waihrich Tatit

Monday, November 3, 2008

RESÍDUO - Carlos Drummond de Andrade

Resíduo
Carlos Drummond de Andrade
De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.
Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço- vazio - de cigarros, ficou um pouco.
Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um poucode ruga na vossa testa,
retrato.
Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?
Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão.
Às vezes um rato.

Friday, October 3, 2008

MÃOS ATADAS

Mãos Atadas
Zena Maciel

Não devo..Não posso...
Calar a voz do coração
Desatar as mãos
Ferir o brilho do olhar
Ocultar a dor
Esquecer que existe o amor
Quebrar uma fantasia
Amordaçar a alegria
Voar nas asas do vento
Vigiar o pensamento
Liquidificar as lembranças
Voltar a ser criança
Matar a saudade
Destilar pequenas crueldades
Secar uma lágrima
Naufragar os sofrimentos
Deixar a tristeza ao relento
Amarrar os sonhos
Ser prisioneira do tempo
Abrir o relicário dos segredos
Assassinar o medo
Morrer antes da hora!

Zena MacielRecife-PE
http://geocities.yahoo.com.br/zenainversos/index.htm


Wednesday, August 27, 2008

O INCONSCIENTE


O INCONSCIENTE.
O INCONSCIENTE É UM MUNDO DE:
POEMAS INACABADOS
SENTIMENTOS INCOMPLETOS
FRAGMENTOS DE DESEJOS CULTIVADOS
PEDAÇOS DE SONHOS DISPERSOS
PRESOS A UMA RAZÃO IRRACIONAL
QUE É CONTRÁRIA AO AMOR E AO QUERER.

O INCONSCIENTE É POVOADO POR:
VERDADES ESCONDIDAS DE INIMIGO * AMIGO
NO INCONSCIENTE MUNDO
DE UMA REALIDADE ADQUIRIDA
QUE É PEQUENA E FRÁGIL
E NO ENTANTO, INDESTRUTÍVEL.

EM UM MUNDO DE:
SENTIMENTOS CONFUSOS,
ONDE PRAZER E FELICIDADE SÃO ERROS IMPERDOÁVEIS
E O QUERER PASSIVO DE PENA
OS OLHOS DESCREVEM EMOÇÕES,
DESEJOS PROIBIDOS, QUEREIS PROFANOS
E NESTE MUNDO DE SENTIMENTOS
AS PALAVRAS SE TORNAM OBSOLETAS, DESNECESSÁRIAS
POIS O OLHAR CONFESSA:
O QUE O CORAÇÃO DESEJA
O CORPO ANSEIA E A ALMA ESPERA.

O OLHAR REVELA:
DESEJOS QUE LÁBIOS NÃO PROFESSAM
MAIS QUE QUEIMAM A PELE
ENLOUQUECEM OS SENTIDOS
E VÃO CONTRA A RAZÃO.
NESTE MUNDO:
ONDE EMOÇÃO E RAZÃO GUERREIAM
O AMOR É CENSURADO, PROIBIDO, CONDENADO.
O CERTO E ERRADO SE MISTURAM, SE CONFUNDEM, SE ANULAM,
E O QUE SOBRA:
É O ENSURDECEDOR SILÊNCIO DA SOLIDÃO.
Adriana Silva de Oliveira é estudande de Administração com Gestão em Projetos. Profissional Comprometida com o seu desenvolvimento pessoal e profissional.

Sunday, August 24, 2008

VIDA E OBRA DE MANOELITO DE ORNELLAS

"Enquanto do mais alto caias mais alto há de ser o ressalto e mais longa a tua permanência na memória da pedra"
Vida e obra de Manoelito de Ornellas
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08/03/2006
LOCALIZE NESTA PÁGINA
OS ITALIANOS DO ITAQUI
Por Manoelito de Ornellas
CRONOLOGIA DE MANOELITO DE ORNELLAS (1903-1969)
Por Maria Alice Braga
UMA PAISAGEM GAÚCHA DA INFÂNCIA DE MANOELITO
Por Antônio Gutierrez
INFÂNCIA LONGÍNQUA
Por Marcos Verçosa de Aquino
O RIO GRANDE TRADICIONALISTA E BRASILEIRO
Por Manoelito de Ornellas
POR QUE LER MANOELITO E/0U A SÍNDROME DO ESQUECIMENTO
Por Walter Galvani
PROSA DAS TERÇAS
"É preciso salvar o velho bronze!"
Por Manoelito de Ornellas
UM ESCRITOR MEMORÁVEL
Por Landro Oviedo
MANOELITO, CENTENÁRIO E VIDA
Por Maria Alice Braga
VEJA TAMBÉM: http://www.landrooviedo.zip.net/
contatos: landrooviedo@uol.com.br Escrito por Landro Oviedo às 22h19[(1) Apenas 1 comentário] [envie esta mensagem]
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OS ITALIANOS DO ITAQUI Por Manoelito de Ornellas
Depois da primeira metade do século XIX, vieram para Itaqui muitas famílias procedentes da Itália. Eram imigrantes que haviam chegado à Argentina para ficar, mas, seduzidos pela crônica que se fazia, então, da fronteira do Brasil com aquele país, de campos fecundos e cidades que prosperavam, carentes de braços e de agricultores, preferiram tentar a vida no Rio Grande do Sul. E escolheram a cidade de Itaqui, famosa pelo alto nível de sua vida social e com a flotilha da Armada Brasileira, que emprestava à cidade colorido especial.
Esses italianos trouxeram, com a língua sonora da Toscana, a música da Itália nos violinos, nas "chitarras" nos mandolinos, nas "cornamusas", as caixas de mascates, os balcões do comércio, as ferramentas de carpintaria, de ferraria, os delicados instrumentos da relojoaria, tudo quanto habilitava os homens às procissões, aos ofícios e aos artesanatos.
Ali ficaram. Ali viveram. Ali prosperaram. Criaram seus filhos e seus netos, e ali morreram, todos eles, fiéis à paisagem e fiéis ao amor votado à Patria que adotaram. Deram novo colorido à sociedade do Itaqui. Inauguraram as grandes casas de comércio e as grandes oficinas. Muitos desses italianos imigrantes circundaram a cidade de hortos e pomares fecundos. O gaúcho de Itaqui aprendeu, com eles, a comer verduras e legumes, toda a variedade de massas que começaram a fabricar.
Eram em grande número.
Recordemos os nomes de alguns, cujos descendentes estão vivos na história política, cultural, científica e econômica do Rio Grande do Sul: Degrazzia, Mondadori, Moretti, Ruffoni, Píffero, Schinini, Cacciatore, Minoggio, Piantá, Bonapace, Bonetti, Bonorino, Calvani, Cocaro, Passamani, Sestini, Rossi, Cocolichio, Ferroni, Piagetti, Perrore, Carmanin, Necchi, Aquistapace, Caccia, Gondola, Pezzi, Julianni, Cremonti, Cioca, Capiotto, Contursi, Recagno, Delamora, Bado, Fossari, Caravelli, Francioso, Amendolea, Musachio, Bocaccio, Plechole, Messina, Cafarate, Arispe, Biasqui, Cattani, Meziza e Guglielmi. O Guglielmi é meu.
(continua) Escrito por Landro Oviedo às 22h17[(0) Comente] [envie esta mensagem]
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Fundaram uma sociedade que se chamou "Mútuo Socorro".
Meu avô, Antônio Guglielmi, levou-me algumas vezes à sede da "Societá Italiana". E meus olhos guardaram a efígie de uma Rainha, que se chamava Mafalda e tinha a fronte e o colo cobertos de perólas e de um Rei de grandes bigodes que devia ser Humberto I ou Victor Emanuele, pouco importa.
A "Mútuo Socorro" foi muito mais socorro de brasileiros pobres do que de italianos necessitados.
Com que saudade me revejo nas ruas do Itaqui, arrastado pelas mãos de meu avô, a participar das festivas passeatas cívicas que os imigrantes realizavam, celebrando as datas históricas de sua Pátria, deixada para sempre.
À frente, a banda marcial, quase toda ela de italianos e descendentes brasileiros e, logo depois, as bandeiras da Itália e do Brasil. E, na alma daqueles homens simples, um entusiasmo ingênuo, e, no coração, a lembrança inapagável das aldeias alpinas que haviam deixado e que jamais haveriam de rever.
As manhãs cívicas começavam com as estrepitosas alvoradas, sacudidas pelos morteiros que vinham por empréstimo, dos Arsenais do Exército.
A passeata percorria as ruas 15 de novembro e 7 de setembro, com o Cocolichio à frente, rojões e foguetes, e os brados bilingües de "viva Itália" e "viva o Brasil..." Os gritos de exaltação sacudiam a cidade que despertavam. E, no meio da algazarra cívica, sem "respiro", surgia, também, de quando em quando, um "viva al foghete" ou o "viva" pessoal, animado pelo quarto ou quinta "vaselo" de vinho puro, mais rubro que o sangue das artérias.
Creio que a todos os netos desses italianos ocorreu o mesmo que aos netos de Antônio Guglielmi: nenhum deles falou italiano ensinado pelo avô. Eles, nossos avós, eram mais ciosos de sua condição de brasileiros que seus próprios filhos e netos.
Para ler D'Annunzio, mais tarde, na minha distanciada fase de sedução pelo autor de "L'Innocente", foi necessário aprender o italiano à custa própria. Meu avô me ensinou, apenas, a marcha de Garibaldi, porque era garibaldino.
Para ele, o herói dos dois mundos era a mais alta craveira dos paralelos humanos. Se lhe diziam que um homem, na vida histórica de um país, era culminante, nas virtudes, no heroísmo ou na inteligência, sua pergunta era fatal: "Será maior que Garibaldi?".
Foi ele, meu avô, que poliu cabos de lanças que serviram aos soldados de Gomercindo Saraiva, quando as tropas revolucionárias de 1893 invadiram o Itaqui.
Custou-lhe algum tempo de exílio em Alvear...
E desse grupo de italianos formou-se o grande lastro humano da sociedade itaquiense de nossos dias. (Do livro de memórias "Terra Xucra", Editora Sulina, 1969) Escrito por Landro Oviedo às 22h16[(1) Apenas 1 comentário] [envie esta mensagem]
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CRONOLOGIA DE MANOELITO DE ORNELLAS (1903-1969)
Elaborada pela professora Maria Alice Braga, doutora em Letras pela PUC-RS, em dissertação de mestrado sobre a vida e a obra do escritor.
1903
Nasce Manoelito de Ornellas, o penúltimo filho de uma prole de sete, em Itaqui, às margens do rio Uruguai, Rio Grande do Sul, no dia 17 de fevereiro. Seus pais são Manoel Pedro de Ornellas, descendente de portugueses da Ilha da Madeira, e Anna Guglielmi, de ascendência italiana e francesa, nascida no Uruguai.
1914
Vai estudar, aos 11 anos de idade, no Ginásio Santa Maria, na cidade de mesmo nome, onde permanece apenas um ano.
1915
Volta ao convívio da família.
1917
Inicia a formação de sua biblioteca com "Os sertões", de Euclides da Cunha. É emancipado pelo pai, a fim de tomar conta dos negócios da família, pois Manoel Pedro encontra-se doente nessa época.
1918
Presta exames escolares nas cidades de Itaqui e de Uruguaiana e conclui o ginásio com aprovação máxima na maioria das disciplinas.
1920
Morre Humberto, seu irmão mais velho, e a família toma novos rumos.
1922
Muda-se, com a família, para Tupaciretã, região do Planalto Médio.
1927
Morre Anna Guglielmi, mãe de Manoelito, no dia 4 de abril.
1928
Publica pela Emp. Gráfica Ltda., de São Paulo, seu primeiro livro: "Rodeio de Estrelas", poesias.
1930
É redator do Jornal da Manhã e, após, redator-chefe de A Federação. Publica o livro de poesias, "Arco-Íris", pela Livraria do Globo, e "Dois discursos", pela mesma editora.
1931
Casa-se com Lucy Pinto de Ornellas, prima de Aureliano e José Figueiredo Pinto, amigos de Manoelito.
1932
Nasce Lília Pinto de Ornellas.
1934
Muda-se, com a família, para Santa Maria. Publica pela São Paulo Editora uma monografia sobre a história da região missioneira do Estado, "Tupaciretã", trabalho que rende ao autor uma cadeira de membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul.
1935
Muda-se, com a família, para Porto Alegre.
1937
Recebe a condecoração Cavaleiro da Ordem da Coroa de Itália, em 21 de setembro.
1938
É nomeado diretor da Biblioteca Pública. Em seguida é eleito presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) em substituição ao escritor Erico Verissimo. Publica seu primeiro livro de ensaios, "Vozes de Ariel", pela Globo.
1939
É nomeado, respectivamente, diretor da Imprensa Oficial e do Jornal do Estado, órgão este que traduzia o pensamento do governo. Nessa época escreve editoriais de repercussão nacional.
1940
Publica "Tradições e símbolos". É agraciado com a Medalha de Prata do 50o aniversário da Proclamação da República, em 20 de maio.
1942
Assume o cargo de diretor do Departamento de Imprensa e Propaganda, órgão do governo brasileiro no Rio Grande do Sul.
(continua) Escrito por Landro Oviedo às 22h16[(1) Apenas 1 comentário] [envie esta mensagem]
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1943
Publica, com êxito total de crítica, o livro de ensaios "Símbolos bárbaros" pela Livraria do Globo. Mais tarde lança "O Brasil nos destinos da América".
1944
Inicia uma campanha, por todo o território sul-rio-grandense, pela volta ao regime democrático. Profere conferências e lança o estudo "Caminhos originais do Brasil".
1945
Deixa a direção do Departamento de Imprensa e Propaganda e assume a direção do Arquivo Público.
1948
Publica, pela Editora Globo, o romance histórico "Tiaraju". Também sai "Gaúchos e beduínos - a origem étnica e a formação social do Rio Grande do Sul", pela José Olympio, além do ensaio "Uma viagem pela literatura do Rio Grande do Sul", separata da Revista Atlântico, de Lisboa. Traduz e prefacia o romance "Ariadne", de Claude Anet, e "Tabaré", o poema de Juan Zorrilla de San Martín.
1951
Assume, como professor interino, as disciplinas de Literatura Hispano-Americana e Cultura Ibérica da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sendo efetivado em 21 de dezembro.
1952
Lança pela editora Arte no Rio Grande "A filigrana árabe nas tradições gaúchas".
1954
É afastado do corpo docente da Ufrgs e ingressa na Faculdade de Filosofia de Florianópolis, onde passa a lecionar História da Arte. Publica "O Rio Grande do Sul tradicionalista e brasileiro" e "Cadernos de Portugal e Espanha".
1955
Edita, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, "A poesia crioula na sátira política". É agraciado com a Medalha Imperatriz Leopoldina, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, em 5 de novembro.
1956
Publica "A gênese do gaúcho brasileiro", Cadernos de Cultura, pelo Ministério de Educação e Cultura.
1957
Lança "Uma viagem pela literatura do Rio Grande do Sul", reedição da Revista Vértice de Lisboa. Em 8 de outubro recebe a Medalha do Pacificador, outorgada pelo Ministério do Exército.
1958
É condecorado com a Medalha Sílvio Romero, do antigo Distrito Federal (Rio de Janeiro), em 29 de agosto.
1959
É incluída oficialmente no "Indice Histórico Español", sob a orientação de Guilhermino Cespedes, catedrático da Faculdade de Letras de Sevilha, a obra "Gaúchos e beduínos".
1960
Publica o livro "A cruz e o alfanje" pela editora Progresso de Salvador, Bahia. Em 7 de abril é homenageado com a Comenda de Alfonso X, El Sábio, distinção máxima do governo espanhol a intelectuais estrangeiros.
1961
É laureado com a Medalha Olavo Bilac por seus estudos sobre a Espanha.
1963
É eleito, pelos líderes da sociedade sul-rio-grandense, como a Personalidade do Ano na área da Cultura e das Letras. Recebe o prêmio da Sociedade Pedro II pelo livro "Máscaras e murais de minha terra".
1964
Edita, em plaqueta, a monografia "Bolívar Escritor" e "Tardes e noites brasileiras de cultura". É nomeado adido cultural do Brasil no Uruguai.
1965
Lança "Máscaras e murais de minha terra", editado pela livraria do Globo.
1967
Publica, pela EDART, de São Paulo, "Um bandeirante da Toscana", livro encomendado por Assis Chateaubriand, que versa sobre a vida de um ilustre italiano que restaurou a indústria açucareira de São Paulo.
1968
Recebe o prêmio Joaquim Nabuco, da Academia Brasileira de Letras, entregue pelo acadêmico Ivan Lins, pela obra "Máscaras e murais de minha terra". É homenageado com o título de Membro Honorário da Academia Catarinense de Letras.
1969
Edita, pela Livraria Sulina, "Terra Xucra", livro de memórias que formaria uma trilogia com "Mormaço" e "Estuário", este inacabado. Os amigos e intelectuais de São Paulo promovem um lançamento especial para "Terra Xucra", em junho, época em que Manoelito pronunciou várias conferências. No dia 8 de julho, morre o escritor que dedicou sua vida e obra às causas da terra onde nasceu. Escrito por Landro Oviedo às 22h16[(0) Comente] [envie esta mensagem]
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UMA PAISAGEM DA INFÂNCIA DE MANOELITO (PINTURA DE ANTÔNIO GUTIERREZ) E O ESCRITOR COM NOVE ANOS

INFÂNCIA LONGÍNQUA
Manoelito, na infância longínqua,Tinha bolitas rajadas de coresDa infância lembra a cidade pequena,O rio largo, barco e pescadores.Naquelas tardes em tempos de verãoManoelito ia pescar lambarisCom o caniço na beira da águaNa sombra costeira do rio Cambaí.Ele saiu ao encontro do pampaNo lastro duro de um vagão de tremFoi da cidade morar na campanhaE desse caminho seguiu mais além.
Lembrando hoje a velha moradaA casa grande lá de Bela UniãoLugar que foi a mais pura querênciaDe Manoelito no pampa pagão.Em liberdade pelo campo aforaSob as estrelas que brilham tão belasÀ sombra da noite nesta "Terra Xucra"Eu avistei Manoelito de Ornellas.
(Marcos Verçosa de Aquino) Escrito por Landro Oviedo às 22h14[(0) Comente] [envie esta mensagem]
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O RIO GRANDE TRADICIONALISTA E BRASILEIRO
(Comentário de Landro Oviedo:
Vale a pena ler este discurso, apesar de seu tamanho, o qual, talvez, num primeiro momento, possa não encorajar o leitor. Mas depois que começamos a ler e sentimos o sabor do texto fluente, simétrico, conciso e polido do escritor, não conseguimos interromper a leitura. Nele, Manoelito ressalta a importância do folclore dos povos, projeta valores a serem seguidos pelo movimento tradicionalista e resgata fatos do passado rio-grandense, bem como insere a cultura regional na cultura nacional. É um documento histórico da maior importância, pois foi escrito como presidente do 1o. Congresso Tradicionalista. Não é à toa que ele que se pronuncia de que naquele encontro vivia a noite mais importante da sua vida pública até então. Ele via como a realização de um sonho o surgimento de um movimento de resgate da cultura, da história gaúcha e de valores imperecíveis do passado)

O RIO GRANDE TRADICIONALISTA E BRASILEIRO
Por Manoelito de Ornellas

No momento histórico em que nos defrontamos neste Congresso – velhos e novos companheiros – incitados do mesmo arroubo gauchesco e tradicionalista, o espetáculo se transmuda para mim, de magnífica realidade e irisada fantasia e ganha desmesuradas proporções de sonhos.
É que não esperava assistir, tão cedo, ao êxito de uma clarinada comovedora que, no instante da ousada vibração, parecera morrer ao embate da fria indiferença e do comodismo tépido.
Há 14 anos passados – 22 de outubro de 1940 – num salão não menos austero do que este, diante da juventude acadêmica do Rio Grande e de seu mais representativo mundo intelectual, o homem, a quem generosamente trouxestes à Presidência deste Congresso, erguia seu brado de alerta, para deplorar os caminhos que tomavam a literatura e a arte rio-grandenses, divorciando-se do gênio da raça e alheando-se das misteriosas emanações da terra.
No paralelo que tracei, então, entre o fecundo telurismo da literatura do Prata e o escasseante nativismo na literatura do Rio Grande, lembrava que havíamos desdenhado da seiva prodigiosa das nossas raízes étnica e relegado ao esquecimento nossas lendas, nosso folclore, com os primeiros livros que haviam falado da nossa leiva e do gaúcho, e condenado ao silêncio – mais cruel que do que o anátema – nomes que acrisolaram um dos mais ricos e valiosos patrimônios da inteligência brasileira do Sul. Na angústia de quem pressentisse uma catástrofe iminente, indagava eu dos "Contos Gauchescos", de João Simões Lopes Neto, e de quem os conhecia então?
E, entre os nomes de Araújo Ribeiro, de Apolinário Porto Alegre, de Félix da Cunha, de Carlos Von Koseritz, perguntava ainda quem poderia falar, naquele momento, da vida e da ação de João Caetano da Silva, que fora um dos maiores diplomatas e penhor vivo, na história do Amapá, da vocação nacionalista do gaúcho?
Só mais tarde a reação se esboçaria: nossos homens de pensamento voltaram a encontrar no temário opulento da terra motivos para suas criações admiráveis.
Haveis de permitir que vos recorde a advertência oportuna que fiz à interrogação restritiva que muitos olhares denunciavam em 1940, de que não pregava, como se poderia supor, uma tradição jacobinista, nem um simples retorno à literatura de "capa e espada"; que seria condenável fechar nossas fronteiras espirituais à boa e sadia contribuição alienígena e ridículo reavivar, por falsas, uma ficção e uma poesia que apresentassem o Rio Grande de hoje como o Rio Grande heróico de ontem, sob a atmosfera esfumada das pulperias e no drama manchego de seus duelos a facão; vida e epopéia dos egressos da lei, penache e aventura do nomadismo romântico e vazio.
O Rio Grande não era mais uma vasta extensão dos campos indivisos onde o novilho xucro e o potro chimarrão vagassem em pontas selvagens e tropilhas ariscas, assim como Saint-Hilaire os surpreendera nas madrugadas do século XIX.
(continua) Escrito por Landro Oviedo às 22h04[(0) Comente] [envie esta mensagem]
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Os campos estavam recortados pelos marcos divisórios da posse, farrapos de moirões, modernizados nos métodos da lide, sem mais as boleadeiras charruas e o laço de doze braças, servidos de troncos e de bretes que haviam racionalizado o trabalho campeiro.
E, no seu complexo étnico, havia, agora, novos contingentes de sangue e, na sua vida econômica, um novo e aflitivo problema: ao nomadismo lírico, de guitarra a tiracolo, pouso certo e carne certa, de galpão em galpão, a competição do colono imigrante ou a do senhor feudal que, pouco a pouco, arrebatavam do nativo a terra, desalojando-o do meio primitivo, para transformá-lo no pária desamparado a perecer dentro da massa flutuante e informe que mendigava às margens das cidades populosas em caminho para o inorgânico e para o fim.
Não poderíamos fugir à nova realidade rio-grandense nem fechar os olhos à tragédia do gaúcho banido, expulso, atirado para fora de seu rancho.
O que tínhamos a fazer, então, era aceitar a crueza da evidência e salvar, da avalanche total, o que de mais precioso deveria subsistir – as tradições do espírito, isto é, a força do idealismo rio-grandense, os brios antigos que sempre se exteriorizaram num culto apaixonado à gleba, o pénache que ia perdendo a galhardia primitiva e a soberba altivez que fora, um pouco, sobranceira imagem dos Cadetes da Gasconha.
Recomposta a estrutura moral, despertada a consciência do perigo, revigorada a têmpera da luta, então sim, isso que está aí: a formação da primeira vanguarda de defesa que, disseminada por todos os quadrantes geográficos do Rio Grande, já não deixará o gaúcho, sem apoio e proscrito, sucumbir à renovada e implacável ação das influências exóticas e à inclemência da fome e do desterro.
Ficarmos no lirismo superficial do passado, soluçando de pena, pelo que foi o gaúcho, sua vida de monarca nas coxilhas e sua liberdade no pampa sem horizontes definidos seria uma cópia melancólica de Jeremias a chorar sobre as ruínas de Jerusalém.
Uma atitude vertical se nos impunha, não a reacionária ou extremada que repelisse toda a colaboração forasteira, pois, como Rodó, sabíamos que o sonho do futuro, a simpatia pelo novo e uma hospitalidade ampla e generosa eram condições naturais de nosso desenvolvimento, mas com a convicção de que, se houvéssemos de manter alguma personalidade coletiva, devíamos reconhecer-nos no passado e divisá-lo, constantemente, acima das velas pandas de nossos barcos.
Para essa obra de preservação, todos os momentos trazem sua oportunidade, todas as atividades, ainda as mais insignificantes, oferecem ocasião de serem aproveitadas. À parte os grandes estímulo da história, cultivada e enaltecida como forma suprema do culto nacional, à parte o caráter de iniciação cívica que deve Ter, entre os seus mais altos fins, o ensino primário, e das energias que a imaginação e o sentimento podem emprestar a uma literatura que se inspire, sem mesquinhas limitações, no amor da terra, não há manifestação da atividade comum onde não seja possível conservar ou fixar um costume que encerre certo valor característico, certa nota de originalidade.
A presunção que é necessário difundir, até que se converta em sentido comum de nosso povo, é que nem a riqueza nem a inteligência nem a cultura, nem mesmo a força das armas, podem suprir, no organismo das nações, como suprem no organismo dos indivíduos, a ausência deste valor irredutível e soberano: ser algo próprio, ter um caráter profundamente pessoal.
Antes, quando nas cidades do Rio Grande do Sul menos próximas às regiões de campo um homem surgia – na via pública – ostentando a bombacha, as botas de fole e o chapéu de abas largas, um riso aflorava à máscara dos curiosos, que era, ao mesmo tempo, um riso de escárnio e ignorância.
Convencer ao esnobe, ao sibarita malicioso, ao cosmopolita das grandes urbes que eram realmente aquelas vestes tradicionais do nosso povo resultaria uma empresa inútil e perigosa.
Para esses homens desenraizados e descaraterizados, aqueles trajos eram o travesti que os carnavais haviam criminosamente popularizado.
Para eles, os esnobes, irrepreensível seria o americano do Texas que se apresentava nos cinemas, e em toda parte, com seus calções de franjas laterais e seu chapelão branco e flexível; impecável o ribatejano português, que usava seu chaleco, seus calções de liga, suas meias brancas e seu barrete de borlas; inatacáveis o escocês, que, apesar de sua virilidade, ostentava a saia listrada; o chinês que exibia seu quimono ramalhado e os orientais da Ásia Menor ou da África, que cobriam suas cabeças com o agal ou o turbante.
O que era ridículo e inaceitável era o gaúcho rio-grandense vestir sua bombacha, usar suas botas russilhonas e seu sombrero de abas largas.
Como restabelecer nos homens que haviam criado essa mentalidade negativista o respeito que mereciam aquelas vestes que foram o símbolo da virilidade gaúcha, da bravura dos cavaleiros das guerras cisplatinas, da guerra missioneira, de 35, de 93, de 23 e de 30?
Pela reafirmação da nossa consciência desse valor, pela fé incoercível do nosso apostolado, pelo nosso espírito de luta e a condenação pública do respeito humano.
Exibir as vestes gauchescas sem essa preparação, sem essa convicção, sem essa unção cívica, seria menosprezá-las ou abastardá-las.
Não bastariam, para a afirmação da nossa fé, as exibições das bombachas largas, das botas de fole, do barbicacho próximo dos lábios – que ensinou ao gaúcho a contenção das próprias palavras – se não tivéssemos na alma o fervor e o orgulho que emergem das fundas raízes da raça. Só assim, como agora, a indumentária gaúcha poderia representar, como de fato representa, aquilo que ao escocês significa o saiote ambíguo e quadriculado e ao ribatejano o calção de ligas, o barrete com borlas e o pampilho decorativo que alça aos céus de sua terra com a imponência das lanças guerreiras – um símbolo, e o mais sagrado dos símbolos.
A advertência que sacudiu a alma rio-grandense e que triunfa sob o esplendor desta noite de glórias não foi, porém, um convite apenas ao culto das coisas exteriores. Para isso, não necessitaríamos deste Congresso. Bastaria a ação isolada e municipal de cada centro.
Aquilo que nos pareceu, de começo, a manifestação corajosa de alguns jovens devotos do Rio Grande, no Centro 35 de Tradições Gaúchas, tomou corpo, cresceu no sentido vertical e horizontal. E sem que nós mesmos prevíssemos, adquiriu as dimensões e a força poderosa de um legítimo "movimento". E a um movimento desta natureza, com esta finalidade e estas proporções, é necessário que se lhe dê unidade para que a ação conjunta e harmônica prepare, mais cedo, o clima da conquista integral.
Senhores congressistas:
É este o momento das palavras claras. Foi assim que falou sempre o gaúcho: sem rebuços e de chapéu atirado à nuca. Nossa vida, desde a intimidade dos lares à sociedade comum vem sofrendo, alarmantemente, a influência desagregadora de um cinema industrial, que foge às excelências da arte, para se entregar à nefanda vulgarização do homicídio e do roubo tecnicamente estudados, da luxúria e da licenciosidade.
(continua) Escrito por Landro Oviedo às 22h02[(0) Comente] [envie esta mensagem]
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A velha família rio-grandense, de cunho patriarcal, com figuras femininas do porte de Ana Terra – que Erico Verissimo desenhou – está ameaçada na sua estrutura magnífica. Uma falsa interpretação científica, que pretende explicar a frouxidão dos responsáveis na preparação da juventude dentro dos lares pela licença dos "complexos", está formando uma geração que perdeu o respeito pelas rígidas normas que fortaleciam nossa educação tradicional. E o resultado vai sendo a anarquia, a licenciosidade e a amoralidade.
O homem que emerge desse meio duvidoso para a vida da sociedade e os âmbitos da política de seu país subestima e até ridiculariza os exemplos invocados como paradigmas da lealdade, da honestidade e da inteireza moral.
A palavra, que antigamente se empenhava e valia muito mais do que as estampilhas fiscais e as garatujas dos tabeliões, tem hoje apenas valor fonético e gramatical. Os eufemismos galvanizaram a vergonha: o assalto à boa-fé chama-s hoje de "golpe" e à simulação descarada dá-se o nome de "tapeação".
Às licenciosidades que empanaram as virtudes dá-se passagem livre ao curso cotidiano da vida, com a justificativa irresistível de uma exigência "moderna". Como pensarmos num movimento tradicionalista no Rio Grande do Sul sem começarmos pelo retorno ao culto e proclamação desses postergados valores morais?
– Vamos, senhores, exumar do esquecimento aqueles vultos de que herdamos todo esse imenso patrimônio de dignidade, dos mais ricos dos tempos?
– E, sob a égide de seus manes, formarmos, através destes centros, uma verdadeira Ordem de Cavaleiros para os quais a claudicação no trato e observação desse código seja uma proscrição sumária?
Vamos dar aos nossos centros finalidades mais amplas no campo da moral e do espírito?
Tornemo-los escolas práticas de civismo e de moral pelo prêmio do aplauso às virtudes reveladas e pelo ensinamento constante de quanto possa dar à nossa gente um nível mais alto de espírito e uma mais sólida estrutura de caráter.
Cada centro poderá e deverá ser um núcleo de irradiação cultural no ensino da história, da caracterização do nosso folclore, no estudo da literatura, na prática do teatro.
É necessário que tenhamos, porém, a cautela e o rigoroso senso crítico de evitar que os entusiasmos fáceis por essas iniciativas nos arrastem a uma subliteratura e à divulgação de coisas inconsistentes que nos representem mediocremente na paisagem intelectual do Rio Grande do Sul e do Brasil.
Para que a missão destes centros se complete, formem-se as bibliotecas, instalem-se os museus crioulos, organizem-se fichários informativos.
Os mestres voluntários devem provocar entre os moços a paixão pela pesquisa. E cada trabalho meritório, que receba o prêmio estabelecido, do que deve participar o poder público.
(continua) Escrito por Landro Oviedo às 22h02[(0) Comente] [envie esta mensagem]
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– Não estará aqui a sugestão para que surja, em cada município, um historiador que nos dê a monografia de sua cidade? E se aos nossos centros afluírem gaúchos que ainda não tiveram a fortuna de receber as luzes da alfabetização, ensinemo-los a conhecer esses velhos caminhos do espírito. Estudando, pesquisando, ensinando, orientando, teremos feito pelo Rio Grande um trabalho fecundo que o Rio Grande merece e o nosso amor por ele nos impõe.
Os povos não se conhecem somente pelos atestados gráficos de sua cultura nem exclusivamente pela revelação de suas obras de arte. A música e a dança demonstram, às vezes, mais eloqüentemente que outras artes, a alma sensível de uma raça. Não conheço música mais bela nem coreografia mais colorida e bizarra do que a música e a coreografia rio-grandenses.
Vamos levá-las a todos os quadrantes da nossa terra e das terras estranhas? Vamos pô-las em evidência dentro dos nossos salões sociais onde o baião, o samba, o swing e a conga imperam sem restrições?
Vi, no nosso velho e querido Portugal, o verde-gaio na praça pública, sentido e aplaudido por mais de dez mil pessoas de todas as camadas sociais. A juventude portuguesa dança e canta como dançavam e cantavam seus avós há cinco séculos passados.
As juventudes da Espanha, da Itália, da Holanda, da França, da Alemanha, da Suíça reúnem-se periodicamente em festivais internacionais onde a música e a dança de cada país são atrativos turísticos do mundo.
Se esses povos que têm existência milenária apelam para a lembrança de seu passado como motivo imperioso de sobrevivência e fixação de seus caracteres, que diremos nós, que somos, no Novo Continente, o mais jovem dos povos e dos mais infiltrados por múltiplas imigrações?
Para que sejamos uma força assimiladora é necessário que ofereçamos ao estrangeiro que vem colaborar com seu trabalho e seu capital na grandeza econômica do nosso país aquilo que representa a razão e o fundamento da nossa vida – nosso patrimônio moral e o contigente insubstituível de nossos hábitos, de nossos costumes e de nossas tradições.
Jamais cogitaremos de estabelecer fronteiras étnicas dentro do Rio Grande que separem os descendentes daqueles que estão formando novos lastros humanos de colonização dos que ficaram mais próximos das nossas primitivas matrizes formadoras.
Tenha a origem que tiver, o gaúcho, surgido nesta terra que tem na generosidade de seus amplos horizontes o símbolo de sua própria liberdade, há de ser sempre gaúcho, bastando, às prerrogativas desse título, que ame, como nós amamos, o Rio Grande e o Brasil e cultue, como nós cultuamos, a língua e as tradições que nos dão um caráter à parte no convívio dos povos continentais.
Repilamos como insultuosos aos brios nacionais os prefixos gentílicos – aqui não existem teutos, nipos, ítalos ou ibero-brasileiros, mas brasileiros, nascidos no Rio Grande do Sul, integrados na história, no idioma, nos costumes e na cultura da raça.
Ensina Ismael Moya que a história e o folclore se entrelaçam e se completam.
O folclore não é somente um perfil da história. É, muitas vezes, um índice orientador sobre a origem dos acontecimentos. A história oficial é a relação cronológica dos fatos e fundamenta-se na opulência dos arquivos. Mas, coexistente com as leis, os decretos, as sentenças, os diários de guerra, as proclamações, os tratados, a biografia e a correspondência, uma outra história se escreve, sem o prestígio da imprensa e a consagração erudita das cátedras. É a história que o povo, ator e espectador imediato, alinhava em trovas humildes, em ritmos de danças, em romances e décimas, em frases e sentenças que se tornam populares. É a obra comum que a todos pertence e cujo autor ignorado jamais reivindica a paternidade gloriosa.
A tradição é, para o ensaísta Ismael Moya, a continuidade de um povo no tempo e no espaço.
Sim, a tradição é o espírito de uma raça, força poderosa que empresta coesão e firmeza ao caráter de um povo. É a ressonância secular que, penetrando a intimidade de uma nação, cria o sentimento de pátria, nutre o orgulho cívico, fertiliza o espírito com profundas emoções que animam o homem à concepção das grandes empresas do bem, do progresso, da sabedoria e da honra.
Não há povo que seja tão desventurado sobre a face da Terra que não tenha a sua tradição. Nem mesmo os selvagens desdenham do prazer e do orgulho de haver recebido uma herança do passado. Ritos, costumes, indumentárias, formas jurídicas, hábitos de trabalho, terapêutica, danças, cantigas e jogos, tudo isso constitui e representa a vida integral de um povo.
Não há povo, na face da Terra, que não vibre à invocação da gesta de seus maiores, de suas guerras, de suas vitórias e até mesmo de suas derrotas.
"É a tradição que unifica as sociedades. Um país sem tradições seria como uma árvore sem raízes."
Os povos que não se conhecem a si mesmos, por ignorância ou desdém de suas origens, jamais terão definida personalidade.
Nossa bandeira está acima das bandeiras que dividem em partidos políticos a sociedade rio-grandense.
Não discutimos programas partidários nem admitimos divergências dessa ordem dentro dos nossos centros, que só conhecem um ideal e uma bandeira: o Rio Grande integrado no Brasil.
Não somos partidários.
(continua) Escrito por Landro Oviedo às 22h01[(0) Comente] [envie esta mensagem]
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Mas há, sem dúvida, um equívoco quando nos julgam apolíticos. Não somos apolíticos. E como poderíamos deixar de tomar uma atitude definida nos campos ideológicos se praticamos uma "política de espírito"?
Nossa política é a da defesa da terra, a da defesa da Pátria contra todas as infiltrações descaracterizantes e desagregadoras, venham elas de onde vierem.
Lutaremos pelo que de mais sagrado conquistamos para o Rio Grande e o Brasil: nossa liberdade e autonomia.
Somos frontalmente contrários a toda e qualquer intromissão que, na vida do nosso povo, procure desfigurá-lo, despersonalizá-lo ou incluí-lo nos desfiles triunfais de poderosos de outras raças, de outros mundos, de outras civilizações, de outras línguas.
O Rio Grande deve permanecer fiel às suas tradições e, parcela heróica que sempre foi, há de continuar a ser vanguarda do Brasil na luta contra as infiltrações francas ou solertes que lhe possam desfigurar o caráter ou ferir-lhe a soberania.
Perguntarão se em nosso movimento tradicionalista, de tão pronunciado cunho regional, não será paradoxo tratar, como tratamos, da grande Pátria Brasileira entre os motivos fundamentais do nosso culto.
A essa pergunta capciosa, que anda na boca dos que nos combatem, respondamos que toda vida histórica do Rio Grande foi uma constante afirmação nacionalista.
A própria história do Rio Grande é toda a história militar do Brasil.
Nacionalistas foram as primeiras lutas do Rio Grande português na contenda prolongada da Cisplatina. Nacionalista a arrancada de José Borges do Canto, Manuel dos Santos Pedroso e Pinto Bandeira, incorporando, de espada em punho, o território das Missões ao complexo geográfico do Brasil.
Nacionalista a Revolução Farroupilha. Sim, embora a pretendida República de Piratini: os farroupilhas, pobres e maltrapilhos, com um governo ambulante, vivendo o vago destino do lombo dos cavalos, tiveram, na hora amarga da perspectiva da derrota, a proposta de um auxílio de nação estrangeira que golpearia de morte a monarquia brasileira.
E responderam a esse governo estrangeiro que, se tentasse invadir o território do Brasil, mesmo para auxiliá-los, a primeira gota de sangue que fosse derramada seria o selo aposto ao pacto de união entre os republicanos de 35 e os exércitos do Império.
O sentido nacional do Rio Grande está ainda na epopéia imortal daquele bravo Plácido de Castro, nascido em São Gabriel, que reincorporou, pelas armas, o território do Acre ao território nacional. Está na batalha diplomática de Joaquim Caetano da Silva, devolvendo ao Brasil o território do Acre. Está na colonização rio-grandense levada ao norte do Paraná e que deu a uma vasta zona geográfica do vizinho Estado semelhanças de vida à vida dos gaúchos. Está na colonização rio-grandense numa vasta região campeira da estremadura sul de Mato Grosso. Está na penetração dos tropeiros do Sul – que, de certa forma, devolviam a visita dos bandeirantes de São Paulo – a levar nossas tropas de muares não para os mercados do Prata, mas para as longínguas feiras de Sorocaba. O sentido nacionalista do Rio Grande está ainda na Guerra do Paraguai, onde peleamos por cinco anos e onde o Rio Grande contribuiu com a mais alta percentagem de sangue de todo o Império. Está no gesto comovente dos heróis que proclamara a República Rio-Grandense, está atitude cívica de Antônio de Souza Netto – o proclamador da República Rio-Grandense nos Campos de Meneses –, o mesmo herói que dissera: "Conheça o mundo inteiro que os rio-grandenses são dignos da liberdade", retirante de Ponche Verde, que aceitara a Paz de Carolina como derrota, para viver no exílio voluntário do Uruguai – acorrendo ao sítio de Paissandu, com seus velhos guerreiros farroupilhas, para lutar à sombra da bandeira do Brasil e morrer, mais tarde, nos campos do Paraguai a serviço da Pátria. O sentido nacionalista do Rio Grande está ainda nos valentes brigadianos que morreram pelas estradas garranchentas do Norte e até nas ruas abertas de São Paulo, chamados ao supremo sacrifício da vida em nome da República. Está, por fim, naquela célebre frase proferida por Gaspar Silveira Martins no Parlamento Nacional: "Fala-se muito na Pátria Mineira, na Pátria Pernambucana, na Pátria Paulista e não se fala na Pátria Brasileira que é a Pátria de todos nós".
Dentro da coerência dos nossos sentimentos e das nossas atitudes históricas, nosso movimento recebe a todos os rio-grandenses e a todos os brasileiros que conosco queiram confraternizar. Aqui há lugar para todos os homens de boa vontade, sejam grandes ou pequenos – os grandes e os pequenos nivelam-se à sombra da nossa bandeira. Só não há lugar para os apátridas.
Senhores congressistas:
Considero esta noite a mais gloriosa da minha vida pública.
Há 14 anos sonhei com este espetáculo cívico: ver o Rio Grande representado pelos seus filhos mais ardorosos numa grande assembléia a jurar fidelidade às suas tradições mais ilustres.
A honra que me conferistes eu não a recebo justificada em méritos pessoais. Recebo-a em nome daquele momento imortal em que apelei para vossos espíritos, concitando-os a esta parada vitoriosa dos nossos princípios comuns.
Creio na força poderosa do Rio Grande, na imortalidade da sua história, na perpetuidade de sua raça e na sobrevivência de suas tradições.
De pé, como sempre viveu o gaúcho, rédea presa ao punho, a sondar os horizontes profundos com a destra em pala sobre os olhos; de pé, como sentinela na escalada, a perscrutar ao longe a pisada sutil do inimigo; de pé, como lutaram nossos bravos nos duelos singulares ou nos recontros de lança e espada sobre os campos abertos, de pé, juremos, em face de Deus, em face dessa bandeira, em face dos homens, com o nosso coração a bater junto do coração verde da terra, que daremos ao Rio Grande – na defesa de seu inviolável patrimônio moral e de suas tradições mais nobres – nossa fé, nosso entusiasmo, nosso sangue, nossa vida!
(Discurso oficial proferido no 1º Congresso Tradicionalista do Rio Grande do Grande do Sul, em Santa Maria, na noite de 2.7.1954) Escrito por Landro Oviedo às 22h01[(0) Comente] [envie esta mensagem]
POR QUE LER MANOELITO E/OU A SÍNDROME DO ESQUECIMENTO
Na foto, Dilan Camargo, Landro Oviedo, Lília Pinto de Ornellas e Walter Galvani em ato no centenário do escritor
"Encontrando Manoelito seria o melhor título para meus comentários feitos no dia do seu centenário. Mas quem pode responder se de fato o encontrei são os leitores."
Por Walter Galvani
Eis a íntegra do pronunciamento feito pelo escritor no dia 17 de fevereiro de 2003, centenário de nascimento do escritor Manoelito de Ornellas, no Salão Mourisco da Bilioteca Pública Estadual.
Por que ler Manoelito e/ou a síndrome do esquecimento "O desconhecido podia bem ser um grande de Espanha ou um príncipe do Renascimento italiano que viajasse incógnito no tempo e no espaço. Pensei cá comigo: Só pode ser o Manoelito de Ornelas. E era!" – Erico Veríssimo ao conhece-lo, num tarde de inverno de 1927 (ou seria 28?) em Cruz Alta. "Era também um orador fluente, de entusiasmo fácil e cálida eloqüência, mas de gestos elegantemente discretos." – Erico Veríssimo. "Em 1929 arrebatou do fundo de uma de minhas gavetas, um conto que eu escrevera clandestinamente – "Ladrão de Gado" – e mandou-o com elogios e recomendações a Mansueto Bernardi, que o publicou na sua "Revista do Globo". Posso assim dizer que entrei no "potreiro" da literatura pela mão de Manoelito de Ornelas." – Erico Veríssimo. "Recordo-me de que ao tempo em que o Gen.Cordeiro de Farias era interventor federal em nosso estado, como se achasse vago o cargo de diretor da Biblioteca Pública, vários escritores gaúchos enviaram àquela autoridade um memorial em que lhe pediam que nomeasse Manoelito de Ornellas para aquele posto tão de acordo com suas inclinações, afeições e conhecimentos.O general interventor chamou o meu amigo ao Palácio do Governo e, depois de breve intróito, disse-lhe: "Você vai dirigir a Biblioteca Pública Estadual, mas saiba que não foi apenas nomeado para esse cargo, mas também eleito pelos seus pares!" – Erico Veríssimo. "... O escritor traça o discutido paralelo entre beduínos e gaúchos, valendo-se de lendas e superstições, semelhança de hábitos, indumentária, tradições e costumes. " – Erico Veríssimo. "Argumento que justifica esta reedição: ela constitui uma homenagem póstuma a um homem inteligente e bom que amava sua terra com uma paixão que às vezes me parecia não só espiritual como também carnal." – Erico Verissimo. Estas observações de Erico Verissimo, datam de fevereiro de 1972 e foram incluídas nas edições posteriores de "Gaúchos e Beduínos (A origem étnica e a formação social do Rio Grande do Sul)", agora em 4A. edição, 1999, Martins Livreiro. A primeira é de 1948, pela Livraria José Olympio Editora, do Rio de Janeiro. Posso dizer, na prática, que conheci Manoelito de Ornellas aqui nesta casa e na redação do Correio do Povo, onde cheguei em 1955 e o encontrei entre os monumentos vivos que habitavam e freqüentavam a sala do jornal de Breno Caldas. Lá estava ele constantemente levando a sua colaboração que era editada nas páginas literárias e logo no "Caderno de Sábado", conversando com o Carlos Reverbel, o Mário Quintana, o Paulo de Gouvêa, o P.F.Gastal ou o Oswaldo Goidanich e enchendo de admiração os jovens companheiros que sabiam estar ali presente o homem que tivera a audácia de enfrentar a historiografia oficial e a tese de que o Rio Grande era uma indiscutida "capitania del Rei de Portugal". Além do mais, enchia os olhos pela sua figura de príncipe ou espadachim, como bem o retrataria mais adiante Erico Veríssimo. E aqui, nesta sala encantada, onde até o nome se enche de eflúvios e manifestações mágicas, lembrando a ligação histórica, recordando que a "fusão do sangue real" aqui ou na península ibérica, "não era mais do que um reflexo da fusão do sangue do próprio povo, que, não obstante a guerra permanente, vinculava-se aquém e além das fronteiras imprecisas", ainda ouço a sua voz, no recinto onde ele era o diretor, e como acentuou Erico, com a legitimidade de diretor eleito e não apenas nomeado. Foi assim que o conheci e foi assim que o reencontrei neste fim-de-semana quando me dediquei a reler com assombro e alguma devoção, o seu generoso e apaixonado "Gaúchos e Beduínos". Por todas essas razões e para assinalar a data do seu nascimento a 17 de fevereiro de 1903, para marcar o seu centenário, aqui estamos reunidos com a presença do poeta e escritor Dilan Camargo, Subsecretário da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, do escritor e professor Landro Oviedo e da filha do ilustre homenageado, Lilia Pinto de Ornellas. Vamos lembrar porque ler Manoelito, como enfrentar a síndrome do esquecimento, recordar que o termo gaúcho começou a ser veiculado em 6 de agosto de 1763, entre outras lições, o que é ser matreiro, de onde vem o termo ginete, enfim, abrir uma cortina onde, mais uma vez, cai nosso passado e encobre o conhecimento do presente e do futuro. E também, como logo vai nos mostrar o poeta José Machado Leal, Manoelito foi muito além desta discussão e com seus "Símbolos Bárbaros" ajudou a projetar o Rio Grande, abrindo os "caminhos do Brasil". Na hora de finalizar, gostaria de transcrever o paralelo final que faz Manoelito em seu livro "Gaúchos e Beduínos": "Do paralelo procurado, entre o homem do deserto da Arábia e o homem do verde deserto do pampa, ficam os fatos e as circunstâncias que a história e a sociologia não desamparam: a chegada, e a permanência por séculos, dos árabes berberes em terras da Espanha e Portugal, a partida dos andaluzes, do sul, e dos maragatos das montanhas setentrionais da Espanha e dos portugueses do Sul e das Ilhas Atlânticas pra as terras selvagens da América; o domínio espanhol nos plainos comuns da nossa fronteira, por quase dois séculos, e a tradição de hábitos e costumes que foram familiares a ambas as nações – aos espanhóis e portugueses. Poder-se-iam generalizar, quanto ao gaúcho, as conclusões a que chegou, na Argentina, Jose Ortega y Gasset: "vive entregue, hoje, não a uma realidade, senão a uma imagem. E uma imagem não se pode viver senão contemplando- a . O gaúcho está se revendo sempre, refletido na própria imaginação. É sobremaneira um Narciso. O Narciso é fonte de Narciso. Leva-o todo consigo: a realidade, a imagem e o espelho." O beduíno, quando pousa à beira acolhedora de seu oásis, à sombra recortada de suas palmeiras e de seus tamarindos, fica, por longo tempo, a olhar a sua própria figura majestosa no espelho das águas, coberto por seu Albornoz, que paneja ao vento como as asas brancas de um imenso pernalta do deserto... Necessita, no culto apaixonado de sua própria superioridade e valentia, contemplar-se cara a cara, no diálogo íntimo de seu amor-próprio exagerado. Com o mesmo orgulho e a mesma altanaria com que o gaúcho "se mira" na lâmina de seus arroios murmurantes e no aço espelhado e cortante de sua adaga..."
(Postado em seu saite http://www.waltergalvani.com.br/, em 19/02/03) Escrito por Landro Oviedo às 22h01[(0) Comente] [envie esta mensagem]
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PROSA DAS TERÇAS
"É preciso salvar o velho bronze!"
Por Manoelito de Ornellas
Crônica publicada na edição do Correio do Povo do dia 23 de setembro de 1947, sob o título de “Prosa das Terças”, assinada por Manoelito de Ornellas, que na oportunidade, fez o seguinte relato:
“Levaram-me a assistir, há dois dias, a uma festa tradicional de que participava a juventude estudiosa do Ginásio Júlio de Castilhos. A festa era tipicamente gauchesca. Ao lado da sala iluminada, um galpão aberto à luz das estrelas e o fogão, a cuia, a chaleira, o assado, bombachas e chiripás. Vestidos de percal, ingênuos e simples. Cabelos em tranças, com laços de fita. Cordeonas e payadores. Velho ambiente, que por velho não perdeu os encantos sugestivos. Imagens retrospectivas. Um pedaço rústico da campanha rio-grandense, recortado e atirado para dentro da moldura civilizada da metrópole.
Mas o que se inferiu do entusiasmo puro daquela festa, o alvoroço dos gaúchos que exibiam seus trajes, não foi simplesmente o propósito de exteriorizar hábitos e costumes, que são nossos, são belos e nos devem orgulhar. Houve um outro sentido, que se adivinhou claramente, à primeira vista. É este de profunda razão moral. Os moços rio-grandenses que se vestiram de gaúchos, que improvisaram aquela ramada de galhos verdes, estaquearam aquele pelego de ovelha, rasgaram as cordeonas e cantaram à luz ingênua das estrelas, procuraram muito mais que o avigoramento das tradições exteriores – a revitalização de certas qualidades e virtudes morais que estruturam verticalmente o caráter do gaúcho.
O gesto desses moços tem outra transcendência, que um simples exibicionismo bairrista ou a satisfação de uma reles fantasia regional. O que eles procuraram pelo cenário e pela indumentária redivivos são aqueles caminhos que fazem a correção da cidade pelo campo e a galvanização do homem urbano pelo homem simples e rude, mas honesto e bom, das lides agrestes.
Não há dúvidas de que estes moços perceberam, lucidamente, que a cidade, com seus vícios, foi o corrosivo que manchou a crostra do velho bronze. É preciso salvar o velho bronze! Para que tudo não se perca, para que o evangelho de altivez, de lealdade e bravura moral, onde aprendemos a rezar, não se disperse, folha por folha, aos caprichos dos ventos boêmios, é necessário que se vistam, d novo, aquelas mesmas bombachas, que se comprimam ao queixo as borlas do barbicacho, que se encha de água quente aquela cuia que foi sempre um símbolo de fraternidade entre os homens e se reaprenda a lição que ficou no fundo misterioso da história.
Não que a indumentária e os simples objetos de uso nos possam devolver as prendas morais extraviadas, mas para que nos transmitam aquelas vibrações que inspiram os panos coloridos das bandeiras aos soldados que lutam e morrem nos campos de batalha.
Não se queira negar a magia dos símbolos. Que melhores caminhos, para certas reivindicações, do que aqueles que nos apontam os velhos avós que vestiam bombachas e chiripás?
Seria bom que voltássemos aos tempos em que a lealdade de amigo para amigo era uma condição da própria existência, em que a palavra empenhada dispensava a estampilha oficial e a firma do notário. Seria bom que voltássemos à época em que o respeito mútuo dava aos homens aquela gravidade que aprendemos a respeitar nas figuras austeras que povoaram os velhos salões.
É este o caráter que empresto à tentativa desses moços que trazem até no sotaque a palavra que sempre ouvi nos galpões e uma vontade férrea de manter o Rio Grande acima e à parte da decomposição moral em que o mundo naufraga e contamina o Brasil!"

(Texto incluído no livro “História do Rio Grande do Sul”, do poeta e jornalista José Machado Leal, em preparo pela Martins Livreiro) Escrito por Landro Oviedo às 21h53[(0) Comente] [envie esta mensagem]
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UM ESCRITOR MEMORÁVELPORTO ALEGRE, SÁBADO, 14 DE AGOSTO DE 1999
Landro Oviedo
Há 30 anos, num 8 de julho de 1969, falecia o escritor Manoelito de Ornellas. Nascido em Itaqui, foi um luminoso homem das letras e da palavra. Poeta, ensaísta, orador, jornalista (foi cronista do Correio do Povo), sociólogo, ficcionista, administrador público, professor... Foram muitas as áreas em deu o toque de sua prodigiosa inteligência, sempre com seu estilo refinado.
Da vasta e fecunda obra do autor merecem registros diversos títulos. "Gaúchos e Beduínos" é um fluente e alentado estudo sobre a influência moura na nossa alma rio-grandense, transmitida pelos nossos colonizadores. "Tiaraju" é um romance das Missões sobre a lendária figura de Sepé Tiaraju, fruto da mesma seiva que inspirou Alencar com "Iracema" e Juan Zorrilla de San Martín com "Tabaré", poema épico sobre a gênese do Uruguai.
Na crítica, "Vozes de Ariel" e "Símbolos Bárbaros" lançaram luzes sobre a literatura gaúcha, inclusive descortinando novos autores, como o hoje imortal Carlos Nejar. Há, ainda, textos memorialísticos, como "Terra Xucra", sobre a infância em Itaqui, e "Mormaço", narrando sua passagem por Tupaciretã, a "terra da mãe de Deus". A terceira parte dessa trilogia, que seria "Estuário", sobre sua vida em Porto Alegre, não foi escrita porque a Indesejada das Gentes repontou sua alma para outras paragens.
Não bastasse a importância intrínseca de sua obra, vale lembrar que Manoelito de Ornellas articulou o lançamento de um jovem escritor, furtando-lhe um de seus contos e enviando-o para publicação na Revista do Globo. No final da década de 20, pelas suas mãos, assim se deu a estréia promissora de um autor chamado Erico Verissimo, que viria a ser o maior nome das letras rio-grandenses e um dos expoentes da geografia literária do Brasil.
O lançamento de Erico Verissimo é um ato ilustrativo da trajetória de um homem que foi sempre solidário com seu próximo. A literatura foi a forma encontrada de atingir o epicentro da alma humana, realizando a utopia do convívio fraterno. Sua obra, seu desprendimento e seu amor desinteressado pelas coisas do Rio Grande tornaram-no imortal, não obstante sabermos que a curta memória dos vivos não desvela além do véu do cotidiano.
professor e escritor
Correio do PovoPorto Alegre - RS - Brasil Escrito por Landro Oviedo às 21h52[(0) Comente] [envie esta mensagem]

MANOELITO, CENTENÁRIO E VIDA

PORTO ALEGRE, SEXTA-FEIRA, 14 DE FEVEREIRO DE 2003

MANOELITO, CENTENÁRIO E VIDAMaria Alice Braga
Manoelito de Ornellas foi um escritor que conquistou o apogeu e marcou sua época como um intelectual que fez da literatura veículo de conhecimento e divulgação da cultura sul-rio-grandense. De temperamento forte, pelo sangue latino, passional e de espírito romântico, foi, antes de tudo, um homem fascinado pela palavra. Seu maior atributo, que lhe rendeu a fama e a conquista de muitos amigos, talvez alguns inimigos, foi a eloqüência. Usava o verbo como instrumento de divulgação de idéias e arma poderosa em prol de seus ideais.
Manoelito apreendia o mundo pela sensibilidade, por isso o homem e o poeta são inseparáveis. Descrever um é o mesmo que buscar no outro o complemento dessa complexa e romântica personalidade. É natural de Itaqui, cidade às margens do rio Uruguai, no Rio Grande do Sul. Seus pais, Manoel Pedro de Ornellas, descendente de portugueses da Ilha da Madeira, e Anna Guglielmi, uruguaia de origem italiana e francesa e educada em Montevidéu, tiveram uma prole de sete filhos, da qual Manoelito foi o penúltimo.
Nascido de família tradicional na política e na sociedade gaúcha, logo conheceu a derrota e os infortúnios impostos pela vida. Seus pais foram viver no campo e lá ele cresceu e aprendeu com a simplicidade do homem campeiro a linguagem da natureza. Foi o único da família Ornellas a destinar-se à carreira literária e talvez tenha sido sua mãe a maior responsável por essa escolha, pois dona Anna ninava seu bebê cantarolando cantigas em espanhol, sua língua materna. Logo que o menino começou a falar, a mãe passou a contar-lhe histórias e a ler os poemas de Juan Zorrilla de San Martín na língua hispânica, despertando no pequeno o gosto por esse idioma. Dotada de espírito culto e sensível, ensinava o filho, como contava o próprio Manoelito, a compreender as palavras e a descobrir os segredos das frases.
Assim, a língua espanhola entrou na vida de Manoelito, dividindo com o português o mesmo espaço e igual interesse, guardando na lembrança a imagem da mãe uruguaia, exemplo de amor às raízes e ao seu povo. Manoelito de Ornellas deixou um grande legado para a cultura do RS, merecendo, portanto, receber comemorações pelo centenário de seu nascimento no ano de 2003.
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IZOLINA DA ROSA MELLO , POETISA

IZOLINA DA ROSA MELLO. ( Poetisa ). Mestra em Teoria Literária pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul . Porto Alegre . Brasil . ...sandrawaihrichtatit.blogspot.com/2007/02/luz-mediterrnea.html - 226k - Em cache